quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Borboletas no aquário
                    

                      I


Mantinha borboletas

No aquário.

Sentado à mesa

Com as mãos no rosto

Espalmadas

Tecia um fio de tempo

(Só seu)

A observar, através da transparência

das cortinas,

um balé de cores que reverberavam,

reverberavam...

                 

                II


Mantinha borboletas

No aquário

O silêncio a balbuciar 

Regozijos de naufrágios...

Mas, quando as mãos violáceas

Não pressentiram mais as cores

E a visão turva admitiu

Guelras na fala

Ao fio partido

Gritou

Ah, gritou!

Suspensos ao eco

Todos os mares não desbravados!
   

                 III  


Uma chuva fina e persistente

Lambia os alicerces do passado

Quando fez o que, há tempos, cogitava:

- Mirou o ponto luminoso no teto de tudo

- Guardou os álbuns de todas as renúncias

  Na gaveta do armário

- Fez par com a vida, num beijo inusitado

- E, finalmente, convicto, quebrou o aquário.
 
 
 


Poema do livro "Borboletas no aquário", também presente na Antologia do FEMUP - Festival de Música e Poesia de Paranavaí - PR

Nenhum comentário:

Postar um comentário