quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O preço do poema
 
            
             I
 
 
Quanto vale o poema:
 
- nas frentes de batalha
 
- nas perdas irreparáveis
 
- na solidão que a alma talha?
 
 
Quanto vale o poema:
 
- aos nossos filhos drogados
 
- aos órfãos do destino
 
- aos desenganados?
 
O poema faz seu preço
 
ou o preço do poema
 
pelo tamanho da fome
 
é estipulado?
 
Quanto vale o poema:
 
- nas filas dos hospitais
 
- nas mutilações dos sonhos
 
- nas nossas guerras pessoais?
 
Quanto vale o poema:
 
- aos idosos desrespeitados
 
- às minorias esquecidas
 
- aos amantes desregrados?
 
O poema faz seu preço
 
ou deveras
 
estou enganado?
 
 
             II
 
  
Quanto nos cobra o poema:
 
 - por uma sinfonia de metáforas
 
 - por uma visitação à alma
 
 - por um deslumbre de voos?
 
Ou desapegado da matéria
 
doa-nos, ele, complacente
 
as suas inefáveis asas?
 
 
O preço do poema, senhores,
 
é o poeta quem paga!



Poema classificado: Noite Nacional da Poesia - União Brasileira de Escritores/MS

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