quarta-feira, 21 de agosto de 2013


 Ausência (*)


Abraça-me

como o brilho ao cristal

que guarda dos lábios

                               as marcas

a saliva ainda em ebulição.


Abraça-me

como órfão ao destino

o beco ao fugitivo

que desprovido de perspectivas

                                 admite o precipício.


Compartilharemos

do barco à deriva as velas

qual andejo com o nada

observadores atentos

                              horas e sentinela.


Abraça-me infinda madrugada

como um pai que ao filho espera.


                              * Poema vencedor do Prêmio Ribeirão Preto de Literatura.

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