ABRI, ENTÃO, UM LIVRO DE NIETZSCHE
O tempo
Este soberano sábio
Bateu à minha porta
Com estampado sorriso
Vencedor e cínico de
- "Não lhe disse?"
Irritei-me, a princípio,
Mas acolhi-o,
Aparentemente submisso.
Apresentou-me um diário
Com fatos relevantes
Outros nem tanto
Segundo ele
Meros rabiscos.
Fingi desinteresse
Abri um livro de Nietzsche
E pedi socorro à belíssima lua
Que planava sobre o abajur
Iluminando detritos.
Difícil diálogo
Como provar a um sábio
Que a vida é feita de contratempos?
Nesse embate desigual
Nem Nietzsche me socorreu.
Embriagado de abismos
Acolheu-me o relento!
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