terça-feira, 27 de agosto de 2013


ABRI, ENTÃO, UM LIVRO DE NIETZSCHE
 
 
O tempo

 Este soberano sábio

 Bateu à minha porta

 Com estampado sorriso

 Vencedor e cínico de

- "Não lhe disse?"

Irritei-me, a princípio,

 Mas acolhi-o,

 Aparentemente submisso.


 Apresentou-me um diário

 Com fatos relevantes

 Outros nem tanto

 Segundo ele

 Meros rabiscos.


 Fingi desinteresse

 Abri um livro de Nietzsche

 E pedi socorro à belíssima lua

 Que planava sobre o abajur

 Iluminando detritos.


 Difícil diálogo

 Como provar a um sábio

 Que a vida é feita de contratempos?


 Nesse embate desigual

 Nem Nietzsche me socorreu.


 Embriagado de abismos

 Acolheu-me o relento!
 
 

 

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