sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Chuvas


Ontem
 
tendo chovido
 
após prolongado estio
 
pôs-se a retira a poeira
 
que acumulada sobre
 
móveis e plantas
 
tencionava perpetuar
 
domínio.


Foi um limpeza cuidadosa
 
e demorada
 
como quisesse retirar
 
da pele
 
quaisquer afetos não vingados.


Ontem,
 
pois hoje já não chove,
 
e paira no ar
 
uma sensação recorrente

de aridez meio às águas.
Passagem


O dia sugere-me

labirintos

e no ápice do desespero

encontro inusitada passagem

entre a lâmina que

fatia as horas

e os destroços de uma

luz improvável.


Talvez empreenda fuga

ao anoitecer

quando todos os pesadelos

adormecem

e a dor morre nos lábios.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

AS AUSÊNCIAS GERAM SONS

As ausências geram

Sons

Que atravessam a linha

 Do tempo.


 As ausências geram

 Sons

 Acordes involuntários
 
Alheios ao diapasão.


 As ausências geram

 Sons

 E perpetuam suas presenças

 Sem alarde.


 Oh, aromas da saudade

 Visitando remota canção!

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Inspiração


As palavras brincavam

nas calhas de um céu

descoberto.


E a inspiração gotejava

poesias no teto.

ABRI, ENTÃO, UM LIVRO DE NIETZSCHE
 
 
O tempo

 Este soberano sábio

 Bateu à minha porta

 Com estampado sorriso

 Vencedor e cínico de

- "Não lhe disse?"

Irritei-me, a princípio,

 Mas acolhi-o,

 Aparentemente submisso.


 Apresentou-me um diário

 Com fatos relevantes

 Outros nem tanto

 Segundo ele

 Meros rabiscos.


 Fingi desinteresse

 Abri um livro de Nietzsche

 E pedi socorro à belíssima lua

 Que planava sobre o abajur

 Iluminando detritos.


 Difícil diálogo

 Como provar a um sábio

 Que a vida é feita de contratempos?


 Nesse embate desigual

 Nem Nietzsche me socorreu.


 Embriagado de abismos

 Acolheu-me o relento!
 
 

 
Casa
 


Os retratos

 guardam e vigiam

 os teus passos,
 e os gritos das crianças

 correndo desenfreadas

 em suas paredes ficaram registrados.


 No vasto avarandado

 as mesmas redes descansam

 sob a prosa do crepúsculo

 e janelas de um tempo adormecido

 espiam um quintal lúdico

 e seus arrabaldes.


 E a solidão dos dias frios e chuvosos

 sempre será compartilhada

 por mãos trêmulas

 que bordam agasalhos

 suspiram saudades.